A demanda de pacientes no Hospital Psiquiátrico Otto Krakauer, em Passos (MG), está acima do que ele pode atender. Além dos pacientes com deficiências mentais, a instituição recebe também dependentes químicos que foram internados sob ordem judicial. Para conseguir atender a demanda será preciso construir uma nova ala no hospital, e para arrecadar fundos para as obras, a instituição fez até uma rifa para conseguir as doações.
O hospital foi inaugurado em 1972 com o
objetivo principal de atender pessoas com distúrbios mentais, e
atualmente, a instituição é referência no tratamento. O hospital atende
156 pacientes em seu quadro atual, mas em 2008, o Otto Krakauer passou a
tratar também dependentes de álcool.
Há dois anos o hospital também passou a
receber dependentes químicos encaminhados através de internação
compulsória, mas por falta de espaço e estrutura, eles precisam conviver
no mesmo ambiente de pacientes com problemas psiquiátricos.
Cleidiomir Pereira Silva é usuário de
crack e foi internado através de medida judicial. Na época, como não
havia vaga, ele teve que esperar um mês até conseguir a transferência
para o hospital. "Estava usando drogas diariamente, [fui internado] e
saí de uma clínica de recuperação no ano de 2013. Não deu dois meses e
eu 'rodei' (fui preso) de novo. A polícia me pegou com um celular
roubado, fui pra cadeia e fiquei um mês esperando vaga aqui e hoje eu
estou estabelecido nesse lugar. E eu vou aproveitar o máximo possível,
porque não é qualquer um que tem essa oportunidade. Muitos estão aí
morrendo na rua", conta.
Com a lei que autoriza a internação
involuntária de dependentes através de decisão judicial, os hospitais
que são conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) são obrigados a
cumprir a determinação. Mas o diretor do hospital, Marcelo Rezende, diz
que o problema é que as instituições não receberam incentivos
financeiros para se adaptar a essa nova realidade.
"Nos últimos dois anos se intensificou
[as internações], mas dentro do mesmo padrão de pagamento. Nós recebemos
R$ 49,75 por internação, seja de transtorno mental ou seja de álcool e
drogas. E esses valores, para você oferecer hotelaria, alimentação, medicamentos, isso é extremamente insuficiente", explica o diretor.
Além do repasse feito pelo SUS, o
hospital também se mantém através de doações e todo tipo de ajuda. Um
terreno já foi reservado para construir novas alas e atender os
dependentes químicos, mas o desafio agora é conseguir recursos para
colocar o projeto em prática. "Nós temos uma rifa, que é chamada Rifa da
Independência, na qual nós temos a ambição de vender 100 mil bilhetes
em todo o Estado de Minas Gerais, e assim nós teremos condições de dar
início a essa ampliação", explica Rezende.
Quem tiver interesse em ajudar o hospital adquirindo os bilhetes da rifa pode encontrar mais informações no site da campanha, que você acessa por aqui.
Sistema de internação
Sistema de internação
O coordenador do SUS Fácil no Sul de
Minas, Cláudio de Lima Alves, explica que há uma lista de espera para
internações de dependentes químicos na região, porém os dois hospitais,
em Passos e São Sebastião do Paraíso (MG), que recebem estes pacientes,
não têm mais vagas. Com isso, eles são encaminhados para outros locais.
A Secretaria Estadual de Saúde informou
que vai abrir uma licitação para encaminhar os pacientes para clínicas
particulares contratadas.Fonte:Passsonews

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